O tempo de hoje nos empresta alguns segundos, para dizermos que não há mais tempo para nada. Tudo tem que ser depressa, ligeiro, enfrentamos todos os dias um circuito de deveres e obrigações. O que nos incita também a refletir o valor do tempo, que não é mais o mesmo.
Segundo Stuart Hall, isso se deve ao surgimento da globalização, um fenômeno que se originou em meio a grandes revoluções(principalmente tecnológicas). Que promove a integração do processo social, econômico, político e cultural, e que ao formar uma aldeia global, interage os países entre si, e diante das tecnologias de massa, minimiza o espaço existente entre as pessoas. A partir deste momento o mundo está interligado, nada mais é longe, tudo está comprimido, não há limites. O mundo tão expansivo agora tornou-se pequeno para tanta informação.
Com tantas transformações, a confusão instantânea da realidade, para Paul Virilio tornou-se ubiquitária, é como se uma pessoa se partisse ao meio, uma parte pertenceria ao tempo da presença aqui, o agora, já a outra metade equivaleria a uma telepresença à distância.
Aos processos de comunicação visual, como a internet por exemplo, nos proporciona momentos indispensáveis,ligando-nos a pessoas em qualquer lugar, mas ao mesmo tempo nos separando.
E a memória? Como lembrar?...
Para Auster:
"A memória é como um quarto, como um corpo, como um crânio que encerra o quarto onde o menino está sentado."
Difícil é hoje lembrar do passado, quando testificamos um tempo que é fluído, efêmero. Como consequencia da globalização, deixamos para trás atitudes e comportamentos culturais, como o simples fato de conversar com o vizinho, de visitar amigos ou parentes, e o mais intrigante, não lembrar de fatos que aconteceram recentemente.
O tempo não te dá tempo para sonhar, e pela memória, mergulhar no mar das lembranças.
Bill Viola indaga a necessidade da sociedade em fazer mais coisas em um tempo mais curto, e como artista nos seus trabalhos em uma oposição, faz exatamente ao contrário, prolonga o tempo e diminui as ações. Com isso Viola busca tocar o espectador de maneira minuciosa nos detalhes das cenas, com suas nuances e contradições, permitindo a plateia uma identificação com o que está sendo representado.
Nestes últimos dias o tempo corre, e nesse tempo se não escrevermos tudo o que temos e o que somos, possa ser que num futuro não tão distante, já não se saiba mais nada e aos poucos que vá se perdendo vestígios de uma sociedade.
