segunda-feira, agosto 09, 2010

O tempo que não cabe a Memória

O tempo de hoje nos empresta alguns segundos, para dizermos que não há mais tempo para nada. Tudo tem que ser depressa, ligeiro, enfrentamos todos os dias um circuito de deveres e obrigações. O que nos incita também a refletir o valor do tempo, que não é mais o mesmo.
Segundo Stuart Hall, isso se deve ao surgimento da globalização, um fenômeno que se originou em meio a grandes revoluções(principalmente tecnológicas). Que promove a integração do processo social, econômico, político e cultural, e que ao formar uma aldeia global, interage os países entre si, e diante das tecnologias de massa, minimiza o espaço existente entre as pessoas. A partir deste momento o mundo está interligado, nada mais é longe, tudo está comprimido, não há limites. O mundo tão expansivo agora tornou-se pequeno para tanta informação.
Com tantas transformações, a confusão instantânea da realidade, para Paul Virilio tornou-se ubiquitária, é como se uma pessoa se partisse ao meio, uma parte pertenceria ao tempo da presença aqui, o agora, já a outra metade equivaleria a uma telepresença à distância.
Aos processos de comunicação visual, como a internet por exemplo, nos proporciona momentos indispensáveis,ligando-nos a pessoas em qualquer lugar, mas ao mesmo tempo nos separando.
E a memória? Como lembrar?...

Para Auster:

"A memória é como um quarto, como um corpo, como um crânio que encerra o quarto onde o menino está sentado."

Difícil é hoje lembrar do passado, quando testificamos um tempo que é fluído, efêmero. Como consequencia da globalização, deixamos para trás atitudes e comportamentos culturais, como o simples fato de conversar com o vizinho, de visitar amigos ou parentes, e o mais intrigante, não lembrar de fatos que aconteceram recentemente.
O tempo não te dá tempo para sonhar, e pela memória, mergulhar no mar das lembranças.
Bill Viola indaga a necessidade da sociedade em fazer mais coisas em um tempo mais curto, e como artista nos seus trabalhos em uma oposição, faz exatamente ao contrário, prolonga o tempo e diminui as ações. Com isso Viola busca tocar o espectador de maneira minuciosa nos detalhes das cenas, com suas nuances e contradições, permitindo a plateia uma identificação com o que está sendo representado.

Nestes últimos dias o tempo corre, e nesse tempo se não escrevermos tudo o que temos e o que somos, possa ser que num futuro não tão distante, já não se saiba mais nada e aos poucos que vá se perdendo vestígios de uma sociedade.


quinta-feira, julho 29, 2010

Vidas Enviesadas

"...Que o início de um pertence ao fim do outro, e que o meio de muitos representa o início e o fim de todos... E nessa transa forma-se uma única trajetória , a da vida..."
Tamilis de Abreu


Kátia Canton nos leva de volta ao passado, início do trajeto que temos como o hoje, o presente do qual somos agentes. Comenta os conceitos e características do Modernismo notado no século XX, o movimento cultural presente nas escolas e estilos, na literatura e nas artes. Que baseava-se no abandomo do tradicional e das narrativas do cotidiano. Conceito este, alimentado pela ambição do novo, do desconhecido e do irreal. O ideal da Abstração.
Canton faz uma viagem na história, e do Modernismo nos traz para a Contemporaneidade, onde
nos incita a refletir as transformações ocorridas na sociedade, que foram muitas a começar pela distinção visível nestes movimentos.
A idéia de seguir uma linearidade início -meio- fim nas artes, perdeu-se devido as grandes mudanças ocorridas. Na contemporaneidade, surge então as narrativas enviesadas, que contam histórias, mas com uma composição fragmentada, de modo não linear. Para Canton, o interessante entre outras coisas é perceber que mesmo quando as histórias são recontadas com outra pespectiva, por um novo olhar e ocorre uma narrativa enviesada e fragmentada, diferente do que entendemos como a história narrada tradicionalmente, ainda assim é possível comparar e sistematizar as fragmentações. Nos levando as origens das histórias tradicionais.
Na sala de aula, percebemos o quanto nossas vidas, quando narradas estão enviesadas. Que o início de um pertence ao fim do outro, e que o meio de muitos representa o início e o fim de todos. Todos misturam-se, e nessa transa forma-se uma única trajetória, a da vida.

segunda-feira, julho 26, 2010

Uma Viagem ...



Lembrar a Infância é driblar o tempo efêmero, voltar ao início, aos primeiros suspiros da existência, reencontrar as raízes.
TAMILIS DE ABREU




Eu devia ter uns quatro anos, lembro que a minha mãe logo cedo colocava as bacias para encher, eu era muito sapeca, gastava a água toda e esvaziava as bacias, minha mãe ficava uma fera.


Meus amigos e eu, todas as tardes antes de jogar futebol pulavamos o muro, era uma invasão no quintal da vizinha(a dona Lídia, que era cega e todos da minha turma tinham medo dela), sempre roubavamos frutas, nossa fruta favorita era o cacau. Aí daqui a pouco a dona lidia escutava os barulhos, e soltava os cachorros pra cima da gente, era sempre assim: o muro, a velha, o cacau, o cachorro e o tombo, quando a gente caía do outro lado.


O meu pai trabalhava num clube, a primeira vez que eu entrei numa piscina, só lembro de ter visto, sentido, engolhido, cuspido água, eu estava me afogando, o negócio era, nadar ou nadar, e foi assim que eu aprendir a nadar.


Adorava quando eu ia jogar travinha no campinho da tia maroca, era demais!!! Sempre depois da bola a gente comia manga verde com sal e cominho, ohhh coisa boooaaa!!!!